
Com eixo central no Direito dos Animais, iniciativa marca a substituição gradual da tração animal por tecnologia elétrica e o início de uma transição do modelo de passeios turísticos no local. Há previsão de entrega de outras 20 charretes. Projeto Charretour é viabilizado com recursos de medidas compensatórias destinadas pelo MPMG, por meio do Semente
Preservar a tradição local, mantendo a atividade dos charreteiros e protegendo os animais, além de promover a inovação com responsabilidade social, ambiental e institucional. É essa a intenção da ação de entrega das dez charretes elétricas nessa quinta-feira, 5, em Tiradentes, região do Campo das Vertentes. Há previsão de entrega de outras 20 charretes para o município. A iniciativa faz parte do Projeto Charretour, realizado pelo Instituto Arbo e viabilizado com recursos de medidas compensatórias obtidas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), direcionadas via Plataforma Semente. O tema é acompanhado pela Coordenadoria Estadual de Defesa dos Animais (Ceda) do MPMG, em apoio à Promotoria de Justiça de São João del-Rei.
Segundo a coordenadora do Ceda, promotora de Justiça Luciana Imaculada de Paula, cada charreteiro deverá entregar o veículo antigo e os dois animais utilizados na realização da tração. Em troca, receberá uma charrete elétrica. Segundo ela, os cavalos serão encaminhados para adoção responsável, atividade que será liderada pelo movimento da proteção animal com supervisão do MP. “Depois de passar 'uma vida' puxando veículos em Tiradentes, agora, os cavalos terão direito de descansar”, afirma.
Ela avalia que a entrega das charretes elétricas celebra um consenso entre o movimento da proteção animal, a Associação dos Charreteiros, o município de Tiradentes e o estado de Minas Gerais. “Todos entenderam que a transição é necessária. Esse consenso trouxe um desfecho favorável, um sentimento de ganho de todas as partes”, complementa. A expectativa é que outros municípios, principalmente os turísticos, se inspirem no modelo que está sendo implantado em Tiradentes. A promotora lembra ainda que Caxambu, São Lourenço e Poços de Caldas buscam a transição.
"O grande legado do projeto é o de estabelecer esse diálogo envolvendo todas as partes - a humana, com o charreteiro, a animal, visando seu bem-estar, e o meio ambiente. A gente entra nessa história como mediador, escutando cada uma delas", corrobora a diretora-presidente do Instituto Arbo, Patrícia Reis. Durante o monitoramento do projeto, para além da mudança da tração animal para a elétrica, o analista técnico de projetos do CeMAIS/Plataforma Semente, Pedro de Castro, destaca a participação dos charreteiros, junto às novas percepções, no contexto da pesquisa de satisfação turística realizada em Tiradentes, demonstrando a importância desse serviço como uma unidade dentro da cidade: "E que seja mais um passo de uma transformação maior, daqui para toda Minas Gerais".
A solenidade de entrega das dez primeiras charretes elétricas contou com a presença do procurador-geral de Justiça Adjunto Institucional do MPMG, Hugo Barros de Moura Lima, bem como do promotor de Justiça de São João del-Rei, Adalberto de Paula Christo Leite, entre outros convidados.
Adoção dos animais e treinamento prévio
Sobre os cavalos que faziam a tração das antigas charretes, a médica veterinária e diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Vânia Plaza Nunes, afirma que será feita uma triagem dos interessados em adotá-los. “Nós montamos um programa para adoção, garantindo que toda essa cadeia de mudança social possa ocorrer com respeito aos trabalhadores, animais e cidadãos”, diz. Ela completa que os interessados em adotar os cavalos podem entrar em contato com o Fórum ou com o Arbo.
Por fim, o charreteiro Reginaldo Dantas, há 28 anos no ramo, conta que participou de um treinamento de seis meses com um Protótipo. A charrete tem capacidade para quatro passageiros com cinto de segurança e, segundo ele, rodará pelo município em uma média de 12 quilômetros por hora, devido às características da pavimentação e para que os turistas possam apreciar o centro histórico durante o passeio. O veículo elétrico, porém, pode alcançar lugares onde os antigos não iam e chegar a até 30km/h, com segurança.
O projeto das charretes elétricas foi impulsionado pela Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, em que foi firmado acordo judicial para executar alternativa da substituição do veículo de tração animal. A iniciativa foi possibilitada pelo Termo de Compromisso entre o MPMG, por meio da Ceda e da Promotoria de Justiça de São João del-Rei, o Instituto Arbo, Prefeitura de Tiradentes, Associação de Charreteiros, Fórum Nacional e o Deputado Noraldino Júnior. Elas foram desenvolvidas pela Verth, que tem entre suas soluções a carruagem com motorização 100% elétrica, reunindo tecnologia de ponta e apelo ambiental.
Fotos: Lucas Rodrigues / CeMAIS/Plataforma Semente
Endereço
Comercial: Rua Almirante Alexandrino, 245, Gutierrez | Belo Horizonte, Minas Gerais | CEP: 30441-036Contato
31 3370-6601