Construído no século XVIII, imóvel faz parte do patrimônio histórico da cidade e deve receber museu ainda no primeiro semestre deste ano
O patrimônio histórico de Diamantina comemorou, na última sexta-feira (20), a entrega de um símbolo arquitetônico e urbanístico da cidade. Depois de dois anos de trabalhos, o projeto "Casa do Intendente dos Diamantes Manoel Ferreira da Câmara Bethencourt e Sá", contemplado via Semente na segunda fase do Programa Minas Para Sempre, devolveu à comunidade o imóvel do século XVIII restaurado, e ainda no primeiro semestre de 2026 deve ser aberto um museu no local.
A Casa do Intendente pertence à Mitra Arquidiocesana de Diamantina, proponente da iniciativa, que executou intervenções estruturais e artísticas para sua recuperação. Antes da atual intervenção, o sobrado apresentava sinais de degradação em algumas de suas estruturas, permanecendo fechado ao público há quase duas décadas. Embora tenha passado por uma reforma na cobertura há cerca de 12 anos, o casarão carecia de uma restauração completa que devolvesse a segurança e a integridade aos seus elementos ornamentais.
O investimento na obra foi de R$ 1 milhão, com intervenções executadas ao longo de 24 meses. Os serviços contemplaram a recuperação de elementos arquitetônicos, o restauro de pinturas e forros, além da readequação estrutural para garantir acessibilidade universal. Com a revitalização, o imóvel passou por uma requalificação de seus espaços físicos, tornando-o apto para abrigar atividades culturais e visitação pública.
"Um pedaço da alma" de Diamantina
O promotor de justiça e coordenador da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC), Marcelo Azevedo Maffra, celebrou a união de esforços institucionais para a preservação. "A união é a palavra que move essa preservação do patrimônio. O Minas para Sempre é um programa que materializa esse ideal de integração, que envolve o poder público e a sociedade", destacou o promotor, ressaltando o empenho da Coordenadoria Estadual de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet) na viabilização dos recursos.
O procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho, concluiu os pronunciamentos reforçando o papel do Ministério Público como agente de transformação social. "Promover a Justiça vai muito além de ajuizar ações, mas buscar eficácia da cidadania plena e efetivação de todos os direitos indisponíveis, dentre eles o de ter preservado o patrimônio histórico. Estamos devolvendo a Diamantina um pedaço da sua alma", declarou.
Advogado da Mitra Arquidiocesana de Diamantina, João Paulo Paranhos falou sobre as obras executadas durante o projeto: "Aqui (nos fundos do prédio), havia um mato de praticamente dois metros de altura. A Casa estava sem funcionamento há 17 anos. Toda restauração, por si, é minuciosa, mas contamos com bons profissionais para recuperar esses elementos artísticos, o que era o essencial."
História da Casa do Intendente
Construída no século XVIII, a Casa do Intendente Câmara é um dos exemplares mais representativos da arquitetura colonial mineira. O sobrado carrega o testemunho do trabalho de artífices e pessoas escravizadas, cujos conhecimentos especializados foram fundamentais para a execução de estruturas complexas, como os 37 esteios e pés-direitos que sustentam a edificação, e os refinados tetos em gamela.
A arquitetura do imóvel destaca-se por sua fachada branca com janelas azuis, característica de Diamantina, e pela presença de sacadas tanto na fachada principal quanto nos fundos. No pavimento superior, encontram-se oito cômodos amplos, onde o piso original de madeira ainda resiste, apesar de modificações pontuais em intervenções passadas. Internamente, o grande destaque é o "forro pintado", uma sala com afrescos em policromia. Na parte posterior, o imóvel possui um quintal amplo com ornamentações e saída para uma viela, preservando a amplitude dos terrenos do período colonial.
Sobre o Semente
O Semente conecta o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) à sociedade, em parceria com o CeMAIS, viabilizando iniciativas transformadoras que beneficiam as pessoas e o meio ambiente. Ele é uma alternativa segura, democrática e transparente para que os Promotores de Justiça possam destinar recursos advindos de medidas compensatórias a projetos de relevante interesse socioambiental e que proporcionem resultados para toda a sociedade.
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Com informações da Assessoria de Comunicação do MPMG
Fotos: Francisco Luz/Semente/CeMAIS
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